quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A QUESTÃO DA RESISTÊNCIA

"Quem nos separará do amor de Cristo?" (Rm 8.35).

Aí está. Eis a questão. Aqui está o que queremos saber. Queremos saber por quanto tempo resistirá o amor de Deus. Paulo poderia ter começado com isto. Deus realmente nos ama para sempre? Não apenas num domingo de páscoa, quando nossos sapatos estão brilhando, e nossos cabelos, penteados? Queremos saber (bem no fundo, não queremos realmente saber?), como Deus se sente a meu respeito, quando sou um tolo. Não quando estou animado, positivo, e pronto a tentar resolver o problema da fome mundial. Não, então. Sei como Ele se sente nessas ocasiões. Até eu gosto de mim, então.

Quero saber como Ele se sente a meu respeito, quando vou atrás de qualquer coisa que se move; quando meus pensamentos estão ao nível a sarjeta; quando minha língua está tão afiada que cortaria uma pedra. Como Ele se sente a meu respeito, então?

Essa é a questão. Esse é o ponto. Essa é a razão maior de você ler este artigo. Oh, você não o disse; você pode nem mesmo sabê-lo. Mas eu posso vê-lo em seu rosto. Posso ouvi-lo em suas palavras. Ultrapassei os limites esta semana? Terça-feira passada, quando tomei vodca até não poder andar... Quinta-feira, quando meus negócios me levaram onde não havia o que negociar... No verão passado, quando amaldiçoei Deus junto ao túmulo do filho que ele me dera?
Fui levado tão longe? Demorado demais? Escorregões demais?

É isso o que quero saber. Pode alguma coisa separar-me do amor que Cristo tem por nós?

Deus respondeu nossa pergunta antes que a houvéssemos formulado. Para que lhe enxergássemos a resposta, Ele iluminou o céu com uma estrela. Para que a ouvíssemos, encheu a noite com um coro; e para que nela acreditássemos, fez o que homem algum jamais sonhara. Ele se fez carne e habitou entre nós.

Ele pôs a mão no ombro da humanidade e disse: "Você são um tanto especiais."
Sem se limitar pelo tempo, Ele nos vê. Todos. Das matas da Virgínia ao centro comercial de Londres; dos vikings aos astronautas; do homem das cavernas aos reis; do construtor de cabanas ao acusador, e ao amontoador de pedras, Ele nos vê. Vagabundos e esfarrapados, Ele nos viu antes que houvéssemos nascido.

E Ele ama o que vê. Inundado pela emoção. Acima do orgulho, o Criador das estrelas volta-se para nós, olha um por um, e diz: "Você é meu filho. Eu o amo ternamente. Estou consciente de que um dia você se afastará de mim, e andará ausente. Porém quero que saiba que já lhe providenciei um caminho de volta."

E para prová-lo, Ele fez algo extraordinário.
Descendo do trono, Ele removeu seu manto de luz, e envolveu-se em pele: pigmentada pele humana. A luz do universo penetrou a escuridão, banhou o ventre. Ele, a quem os anjos adoram, aninhou-se na placenta de uma camponesa, nasceu numa noite fria, e então, dormiu num cocho.

Maria não sabia se lhe dava leite ou louvor; deu-lhe portanto ambas as coisas, já que Ele era, tanto quanto ela imaginava, faminto e santo.

José não sabia se o chamava de filho, ou de Pai. Por fim, chamou-o de Jesus, já que fora esse o nome mencionado pelo anjo, e já que ele não tinha a mais leve idéia de como chamar a um Deus, que ele podia embalar nos braços.

Nem Maria, nem José, o disse tão abruptamente quanto minha Sara, mas não pense que suas cabeças não se inclinavam, e suas mentes não ponderavam: "Deus, o que o Senhor está fazendo neste mundo?"

Pode alguma coisa fazer-me parar de amar você?" Pergunta Deus. "Observe-me falar sua língua, dormir em sua terra, e sentir suas dores.

Você pergunta se eu entendo como se sente? Olhe dentro dos olhos dançantes do menino de Nazaré; é Deus indo pra escola. Pense no pequenino à mesa de Maria; é Deus derramando o leite.

"Você pergunta até quando durará o meu amor? Encontre sua resposta numa cruz alcantilada, sobre um monte escarpado. Esse que você vê lá em cima é o seu Criador, o seu Deus, furado com pregos, e sangrando. Coberto de cuspe, e encharcado em pecado. É o seu pecado que estou sentindo. É a sua morte que estou morrendo. É a sua ressurreição que estou vivendo. É como eu amo você."

"PODE ALGUMA COISA INTERPOR-SE ENTRE VOCÊ E EU?" INDAGA O PRIMOGÊNITO.
Ouça a resposta, e firme o seu futuro sobre as triunfantes palavras de Paulo: "Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.38,39).

Max Lucado

Por Litrazini

Graça e Paz

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