sexta-feira, 14 de julho de 2017

FELIZES SÃO OS HUMILDES DE ESPÍRITO

Jesus começa sua exposição no monte dizendo: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mateus 5.2) A humildade ou “pobreza de espírito” como é traduzida em outras versões da Bíblia, não se refere à pobreza material

R.N. Champlin um dos maiores interpretes do Novo Testamento faz uma importante observação: Ainda que Jesus deva ter proferido essas palavras a pessoas reais e literalmente pobres, espezinhados sob a autoridade de Roma e desprezados pelos próprios líderes religiosos, entretanto, a sua ligação é de natureza essencialmente espiritual.[1]

Martyn Lloyd-Jones um dos maiores expositores bíblicos do século XX reforça nossa interpretação: Um homem pobre não está mais próximo do reino dos céus do que um homem rico, se é que estamos falando deles como homens naturais. Não há mérito nem vantagem na pobreza. A pobreza não serve de garantia da espiritualidade. Assim sendo, é patente que essa passagem não pode estar ensinando tal conceito.[2]

Então quem são os “humildes de espírito”? Eles são os que reconhecem de coração ser “pobres” no sentido de não poderem realizar nenhum bem sem a assistência divina e que não têm nenhum poder em si mesmos que os ajude a fazer o que Deus requer deles. O reino dos céus a estes pertence, pois deste reino os orgulhosos por sua autossuficiência são inevitavelmente excluídos. [3]

Ser humilde de espírito é se colocar na total e exclusiva dependência de Deus. Precisamos deixar de lado a autoconfiança e dependemos mais de Deus. Quando esse ensinamento é praticado, a jactância em nosso ego cede lugar à gratidão eterna a Deus, fazendo-nos verdadeiros discípulos do Senhor Jesus Cristo. Pois, um cidadão do reino dos céus é reconhecido por ter essa virtude.

Martyn Lloyd-Jones conta que em certa oportunidade foi convidado a ministrar em uma cidadezinha do interior, e ao chegar à estação de trem um diácono estava a sua espera. Após quase que arrancar as malas de sua mão disse: – sou um diácono da igreja, não sou nada, sirvo apenas para carregar bagagens.  Lloyd-Jones diz que ele disse essas palavras com o intuito de deixar bem claro que o mesmo era um cristão humilde. Quando uma pessoa põe em pratica o preceito da humildade de espírito não faz alarde para que seus pares vejam essa virtude em si. Entretanto, é percebida através de um testemunho alheio sem a influência da autopromoção daquele suposto “humilde de espírito”. 
    
Nesse sentido, observa Hernandes Dias Lopes: “Normalmente, quem tenta vender uma imagem de modéstia e humildade, esconde atrás dessa máscara uma personalidade altiva, soberba e valiosa.” [4] Portanto, a humildade consiste na negação da autopromoção e no reconhecimento autônomo de outrem. 

Outra importante lição que podemos retirar deste preceito divino: presente à humildade – ausente à soberba. Os humildes de espírito além de viver uma vida ausente de soberba, sentem repulsa deste sentimento sorrateiro. Nada mais repulsivo do que o comportamento de uma pessoa soberba e jactanciosa.

O sábio Salomão já exteriorizava seu pensamento sobre os soberbos: “A soberba precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda. A soberba do homem o abaterá; mas o humilde de espírito obterá honra.”(Provérbios 16.18, 29.23) Devemos fazer diferente: humilhar-nos sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em seu tempo oportuno nos exalte. (1 Pedro 5.6)

Mas como observar esta beatitude? A única maneira de alguém tornar-se “humilde de espírito” é voltando os olhos para Deus.[5] Que Deus seja o centro em nossa busca de sermos “humildes de espírito”. Jean-Jacques Rousseau estava enganado quando disse que o homem é essencialmente bom. O ensinamento bíblico é que o homem é essencialmente mal, e suas faculdades todas foram afetadas pelo pecado. Por isso, o homem precisa de Deus para se tornar um ser melhor através de uma mudança em seu interior.

Portanto, encontramos a verdadeira felicidade nos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. E somos verdadeiros “humildes de espírito“ quando deixamos de lado a nossa rebeldia e colocamos  em prática os seus preceitos.

1 CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo.  Volume 1. Editora Hagnos. São Paulo, SP 2014: p. 301.
2  LLOYD-JONES, Martyn, Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel. São José dos Campos, SP 2013: p. 38
3 TASKER, R.V.G, Mateus Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. São Paulo, SP 1999: p. 49.
4 LOPES, Hernandes Dias, Removendo Máscaras. Editora Hagnos. São Paulo, SP 2004: p. 53.
5 LLOYD-JONES, Martyn, Estudos no Sermão do Monte. Editora Fiel. São José dos Campos, SP 2013: p. 46.

Moisés Soares

Por Litrazini

Graça e Paz

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